Um ano depois, familiares e amigos de pediatra assassinado em Barra pedem Justiça

No próximo dia 23 de setembro, o assassinato do pediatra Júlio César de Queiroz Teixeira, ocorrido na cidade de Barra, oeste baiano, completa um ano e família ainda está em busca de respostas. Os cinco criminosos presos pela morte do médico serão ouvidos, pela primeira vez, em audiências de custódia, marcadas para esta terça-feira (13) e também nesta quarta-feira (14).

Antes da primeira audiência, aconteceu um protesto pelas ruas do Centro de Barra pedindo Justiça e a manutenção da prisão dos cinco criminosos identificados até aqui.

A Polícia Civil concluiu no inquérito que o crime teria sido motivado por "ciúmes". O mandante teria "criado mentalmente" que Júlio César olhou para os seios da ex-mulher e, por isso, teria encomendado o assassinato do médico. Desde o início das investigações, a família refuta essa motivação.

Um dos irmãos de Júlio César, Geraldino Gustavo Teixeira, foi quem levantou a hipótese de a morte do pediatra ter ocorrido por uma disputa de espaço de trabalho. “A prisão desses criminosos já é um passo importante, mas as motivações ainda não estão claras. Queremos saber quem pagou esses cinco para fazer isso”, diz Geraldino.

No mesmo dia em que o crime ocorreu, ele se deslocou para a cidade de Barra. Chegando lá à noite, recebeu a informação de que Diego Santos Silva, conhecido como Diego Cigano, estaria por trás da morte do irmão. “Já me informaram que teria sido ele. Soube que, antes da morte de Júlio César, havia diversos inquéritos contra ele engavetados”, conta. Cigano é investigado por outros homicídios na região, mas os casos estão em segredo de Justiça.

O crime contra Júlio César gerou uma grande repercussão por uma série de razões. A primeira delas pelo fato de ter ocorrido quando o médico estava em atendimento, num horário em que a clínica estava lotada. O crime foi presenciado pela esposa de Júlio César, que era enfermeira e trabalhava com ele na clínica no momento do crime. Outros dois funcionários, a criança que estava sendo atendida e a pessoa responsável pelo paciente também presenciaram os tiros.

Câmeras de segurança flagraram o momento em que o responsável pelos disparos entra no local, invade a sala de Júlio César e depois deixa a clínica. A partir das imagens, a polícia chegou aos envolvidos no assassinato, que teriam sido pagos para cometer o crime: um casal, que atuou com olheiro na clínica; o autor dos disparos; o homem que conduziu a motocicleta para levar o criminoso ao local e auxiliar na fuga; e Diego Cigano, que se entregou à polícia, quase um mês depois do crime.

A versão de que a motivação seria o suposto ciúme de Cigano foi contada pelos demais envolvidos no crime. O suposto mandante, por sua vez, se manteve calado durante a tentativa de depoimento.

Outra hipótese levantada seria uma suposta vingança após uma possível denúncia, que teria sido feita por Júlio César, de abuso sexual contra uma criança. O caso teria ocorrido em 2016 e a suspeita dessa motivação foi levantada pela própria família. No entanto, a polícia não chegou a trabalhar nessa linha de investigação.

Justiça

Para a família, embora a prisão dos cinco suspeitos tenha sido um passo importante, a sensação ainda é de impunidade. “O crime ocorreu em um horário de movimento da clínica, durante atendimento, com câmeras monitorando. Ninguém correu, ninguém fugiu, o que indica haver esse pensamento de que poderiam sair impunes”, reforça Geraldino.

Ele acredita que, após a grande repercussão do crime, com a divulgação das imagens das câmeras e a atenção dada ao caso, a situação mudou. “Mas ainda queremos saber quem está por trás desse crime. Júlio César nunca relatou problema com nenhuma pessoa. Sempre foi muito respeitado pela comunidade, não só de Barra, mas de outros municípios da região”.

E o pedido de justiça se espalha por diversos municípios, como Xique-Xique, Irecê, Morro do Chapéu, e a própria cidade de Barra. Para reforçar esse pedido, outdoors foram colocados nessas cidades, para lembrar também da audiência que será realizada nos próximos dias com os envolvidos no assassinato do médico.

À família, resta a luta para que a justiça seja feita e o caso esclarecido. O irmão, Geraldino Geraldo, reitera que a memória de Júlio César será resguardada. “Enquanto estivermos aqui, vamos preservar a memória dele. Família, amigos e a comunidade manterão viva a memória de Júlio César. E enquanto estivermos aqui, não vamos descansar até esclarecer os fatos e entender o porquê desse crime”.

Além da esposa, Júlio César deixou dois filhos, que hoje têm 9 e 6 anos.

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