Por que Jaques Wagner é o único petista no Senado contra a da CPI da Covid-19?

O senador Jaques Wagner (PT) precisa decidir de que lado se encontra no Senado. Se forma entre aqueles que desejam apurar a responsabilidade do governo federal no descontrole da pandemia no país, em vias de levar a óbito 400 mil cidadãos, ou está no meio dos que acham que a culpa pelo caos é integralmente de prefeitos e governadores, entre os quais seu aliado Rui Costa (PT), um dos que estão, desde o princípio, na linha de frente contra a doença.

Se levadas em consideração as últimas declarações de Wagner sobre a CPI, ele seria, apesar do discurso, contra a investigação. “Não sou contra a CPI. Só considero seu momento inadequado”. Mas, na mesma fala, o senador pela Bahia deixa escapar que, uma vez instalado o inquérito, não irá se opor ao seu funcionamento. É um texto insuficiente para se avaliar se Wagner é a favor de que o colegiado comece a trabalhar.

Dos seis senadores petistas, ele foi o único que não apoiou a proposta, sob o argumento, que poderia ser usado por um político governista, de que os esforços, neste momento, deveriam estar voltados para garantir vacinas para toda a população. Vacinas, aliás, que o governo federal não comprou a tempo e que, agora, com a decisão de China e Índia de vacinarem seus concidadãos, corre o risco de não encontrar outra janela de oportunidade para fazê-lo.

Vencida a etapa que considera o argumento do petista furado, a questão é saber porque Wagner se opõe à investigação sobre o governo federal. Medo? Amizade pelos Bolsonaros – dizem que ele anda, não se sabe porque, próximo de um dos Zeros, Flávio Bolsonaro (PSL-SP) -, desinteresse pela vida parlamentar? Afinal, o que leva um senador a ser o único, em seu partido, a boicotar uma investigação considerada essencial para a democracia no país?

De tão especial e surpreendente, a pergunta só pode ser vencida pelo próprio.

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